Polícia Militar de Minas Gerais

Linha do Tempo


 
 
                                    

 

 

 

1709-1729

As montanhas de Minas guardavam o dourado da terra. Onde ouro, diamantes, e outras pedras preciosas afloravam pelo chão, escorria nos riachos, cintilava aos quatro ventos. Um território crucial para a sobrevivência da Metrópole (Portugal) e que demandou mais ferramentas de segurança para a fluidez das riquezas. Em um cenário de pouca estrutura viária e com muitos caminhos possíveis para o contrabando é que chegaram a terras coloniais 3 tropas de Dragões Del Rey a partir de 1719. Esses militares se instalaram para garantir a produção e deslocamento dos minerais preciosos das Minas até os portos marítimos.

 

                                                                       

 

A organização militar nas Minas do século XVIII

Em 09 de novembro de 1709, foi criada a Capitania de Minas e São Paulo, o que se conhecia de organização militar, no Brasil, eram as TROPAS DE LINHA, as Milícias e as ORDENANÇAS.  A história da institucionalização de um corpo militar responsável pela polícia nas Minas do Ouro inicia-se em 1719, com a chegada dos Dragões em Vila Rica (atual Ouro Preto). Cotta, 2006, diz que essa tropa regular e paga pela Coroa portuguesa teria sofrido um processo de especialização precoce. Tendo em vista a necessidade de controle do território, das pessoas e da arrecadação dos impostos, a Coroa portuguesa construiu, gradativamente e ao sabor das exigências locais, um conjunto de políticas da ordem para as Minas.

O Sistema Luso- Brasileiro de Polícia tinha como tripé: a ideia de Ordem; a pluralidade de estratégias de controle e a força das instituições militares na operacionalização de suas políticas. Em Minas Gerais o primeiro ponto a destacar é a especialização policial precoce das instituições militares em virtude de aspectos geopolíticos sui generis. Tal característica se deve às funções exercidas, desde os primeiros anos, pelos corpos militares em Minas:

  • controle da arrecadação dos tributos;
  • repressão aos extravios de ouro e diamantes;
  • controle das violências coletiva e interpessoal;
  • vigilância dos caminhos, estradas e rios;
  • prisão de infratores.

 

Minas era para Portugal o coração da América Portuguesa. O processo de construção das ordens social, jurídica e pública nas Minas teria a participação dos governadores, militares, magistrados, clero, poderosos locais, comerciantes, lavradores e das comunidades. Em um ambiente marcado pela violência, tanto interpessoal quanto coletiva, e pela imprevisibilidade, seria necessário desenvolver estratégias e mecanismos que possibilitassem construir um ambiente para a polícia dos habitantes.

O conceito luso-brasileiro de polícia para o início do século XVIII estaria relacionado à ordem estabelecida para a segurança e comodidade pública dos habitantes bem como à boa ordem que se observa as leis que a prudência estabeleceu para a sociedade nas cidades. No coração da América Portuguesa, o conceito de polícia receberia vernizes diversos, mas em seu cerne guardaria a ideia de  ordem estabelecida. Naquela época o conflito entre os governadores e funcionários tornaram impossível " o exercício pleno do poder metropolitano". O poder estabelecido nas Minas embasava-se, principalmente, no exercício da violência, como forma de manter a ordem e submeter o povo.

Mesmo com a chegada dos Dragões Del Rey (1719) o Conde Assumar, governador da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro (1717-1721), e seus sucessores continuaram a depender das ordenanças e dos corpos auxiliares para a manutenção da tranquilidade e  sossego públicos. Naquele tempo, a multiplicidade de patentes militares passadas aos poderosos locais funcionaria de forma a possibilitar o controle das facções contrárias.Em dado momento um poderoso estaria ao lado da Coroa; em outro, deveria ser combatido. Os vassalos viam as patentes militares como uma das possibilidades para aumentarem seu poder e prestígio pessoal, além de lhes servirem para usufruírem das prerrogativas e isenções atinentes aos postos.

A estrutura dos corpos militares estaria dividida em:

  • Regulares ( também chamados de tropa paga ou de linha);
  • Milícias;
  • Ordenanças.

 

A TROPA REGULAR E PAGA: OS DRAGÕES DE EL REY(1719)

A tropa regular e paga: os Dragões de El Rey – 1ª linha.

Considerados Tropas de 1ª Linha, em princípio eram recrutadas em Portugal. Constituíam a FORÇA REGULAR E PAGA a serviço dos interesses da metrópole. Sua formação ocorreu em consequência da descoberta do ouro, e dos vários levantes que se verificaram em Minas Gerais. Para reprimí-los e garantir a arrecadação do “quinto” do ouro à Coroa, o Rei de Portugal, D. João V fez partir para a colônia (Brasil) um contingente de Dragões constituídos por duas Companhias. Em fins de 1719 já estavam agindo em Minas.

 

                                                                      

 

Os Dragões portugueses, que para as Minas se deslocaram em 1719 a pedido do Conde de Assumar, não eram “tropa para pelejar em campo aberto contra o inimigo”. Originalmente, um dragão era um tipo de soldado que se caracterizava por se deslocar a cavalo, mas combater a pé. Inicialmente e até meados do século XVIII, as unidades de dragões constituíam assim uma espécie de infantaria montada. Contudo, posteriormente, os dragões transformaram-se, passando de infantaria montada a tropas de genuína cavalaria.

“As missões dos Dragões se restringiriam inicialmente à guarda dos governadores, ao comboio da Fazenda de Sua Majestade e ao socorro contra os poderosos, que se faziam fortes com seus escravos, e à atuação em lugares intricados”.

A conveniência de se empregarem dragões residia no fato de que “o principal exercício deles é o manejo de infantaria”.

Devido ao elevado custo de vida o vencimento dos Dragões das Minas era arbitrado em quatro vezes mais do que se pagava em Portugal. As duas primeiras companhias de Dragões das Minas se formaram em virtude da carta régia de 09 de fevereiro de 1719. Seu efetivo era composto de Portugueses, exceção feita aos soldados tambores (músicos), originários da África. Houve problemas com deserção. A terceira companhia foi criada em 08 de dezembro de 1729.

As atividades desenvolvidas pelos Dragões estavam diretamente vinculadas ao processo de imposição do poder pela Coroa portuguesa sobre os poderosos locais, manutenção da arrecadação dos impostos e conservação da ordem e sossegos públicos.

Os Dragões possuíam um estandarte e nele estava desenhada uma mão com um raio que rompia entre uma nuvem, suspensa no ar, como ameaçando a uns montes que estavam embaixo.  Estava escrito: “cedere, aut caedi” que quer dizer, “ceder ou ser ferido.”

Os governadores da época do Brasil colônia acreditavam que as redes clientelares dariam certa ordenação e estabilidade ao sistema de controle social. Havia interesse dos poderosos por obter patentes militares devido a posição que passavam a ocupar nas redes de poder. A chegada do Conde de Assumar trouxe medo, por parte dos poderosos de Vila Rica possuidores de patentes militares.

A chegada dos Dragões para as Minas Gerais trouxe sérias dificuldades, pois não haviam quartéis e foi adotado o sistema de aboletamento. Esse sistema gerou revolta nos moradores que queriam que as companhias de dragões pagassem seu sustento. Em 1721 a Câmara de Vila do Carmo cedeu aos Dragões terras para pasto dos cavalos e posteriormente os Dragões se instalaram em Cachoeira do Campo.

O envelhecimento da tropa provocou a falta de efetivo. Entre 1729 e 1768 houve a diminuição do efetivo em função da criação do corpo de Dragões da Colônia de Sacramento e da reforma de alguns dragões. O efetivo das três companhias de dragões nunca passou de 200 homens. Esta situação abre espaço para aumentar a importância dos corpos auxiliares e as ordenanças, cujos chefes eram os poderosos locais.

 

 
 
                                    

 

 

 

1775 - Criação do Regimento Regular de Cavalaria de Minas

Com a divisão das capitanias, São Paulo e Minas, foi preciso montar um Regimento com militares responsáveis apenas pelo território da capitania de Minas Gerais, foi então cunhado em 1775 o Regimento de Cavalaria de Minas, sediado no quartel de Cachoeira do Campo. Esse Regimento é considerado a célula mater da atual Polícia Militar de Minas Gerais, pois sua missão primordial era fazer a segurança especificamente em território mineiro.

                             

A garbosidade, e zelo pelo serviço militar qualificado sempre esteve em nosso cerne. Os militares do Regimento de Cavalaria de Minas eram distintos, o que pode ser encontrado em vários relatos da época. O serviço de segurança sempre reluziu o brio desse povo mineiro.

Das fileiras do Regimento de Cavalaria de Minas saiu o patrono de todas as polícias do Brasil. Tiradentes, alcunha pela qual era conhecido, chamava-se Joaquim José da Silva Xavier, veio ao mundo no dia 16 de agosto de 1746, na propriedade de mineração, hoje cidade de Tiradentes/ MG, na fazenda do Pombal, situada na circuncisão territorial da Vila de São João del-Rei.

 Era o quarto filho do casal. Com onze anos ficou órfão vindo a ser adotado pelo tio e padrinho, Sebastião Ferreira que era cirurgião, aprendendo assim os conhecimentos da odontologia, a profissão de dentista prático, habilidade que muito ajudou escravos e agregados humildes das fazendas. Com quatorze anos, já trabalhava no serviço de tropa, indo frequentemente nas províncias do Rio de Janeiro e da Bahia.

Em 1769, com vinte três anos, assentou praça na Cia de Cavalaria dos Vice- Reis. Em 1775, com a fusão das antigas Cias de Dragões, foi criado o Regimento Regular de Cavalaria de Minas, hoje Polícia Militar de Minas Gerais, sendo promovido no ano seguinte ao posto de “Alferes”, que atualmente não existe na PMMG.

A partir do ano de 1786, quando os preparativos para a Inconfidência Mineira já estavam em andamento, registram-se no conselho ultramarino várias viagens para o Rio de Janeiro, inclusive uma licença para viajar até Lisboa em 1787.

O Alferes Joaquim da Silva Xavier (Tiradentes) morreu pela crença de uma sociedade mais moderna e iluminista, portanto, menos arraigada pelas tradições coloniais.

 

                                                                                 

 

 

1789 - Participação do RRCM na Conjuração Mineira

O Regimento Regular de Cavalaria de Minas teve ligação direta com a Conjuração Mineira, uma vez que o seu comandante e diversos soldados participaram do movimento conspiratório contra a Coroa Portuguesa no século XVIII, entre eles, o Alferes Tiradentes.

 

                         

 

A extração de ouro e diamantes nas terras mineiras fez da Capitania de Minas a mais rica do Brasil, gerando maior controle do território por parte da Coroa. Os altos impostos cobrados por Portugal geraram diversas revoltas, mas até então nenhuma com caráter separatista. A partir da segunda metade do século XVIII Portugal altera sua política fiscal, aumentando os impostos com o objetivo de financiar a reconstrução de Lisboa, que foi destruída por um terremoto em 1755.

Tudo isto culminou na Conjuração Mineira, uma conspiração organizada pela elite socioeconômica de Minas que, insatisfeita com a política fiscal imposta por Portugal, buscava separar a Capitania da Coroa Portuguesa.

Entre os integrantes do movimento conspiratório havia militares, cônegos, comerciantes, engenheiros, médicos e poetas. Nos preparativos para o levante, Tiradentes fez parte do grupo dos ativistas composto por mazombos, filhos de portugueses nascidos no  Brasil ou filhos naturais da terra. Era um grupo no qual as pessoas eram responsáveis pela concretização da eclosão do movimento. Tiradentes, no dia do levante, na derrama, seria o responsável por executar e mostrar a cabeça do governador para o povo, quando todos estivessem na praça e fossem cercados pela tropa da Cavalaria.

Depois que foi preso, já no processo conhecido na História como os “Autos da Devassa”, no quarto interrogatório, assumiu toda responsabilidade pela tentativa do levante, não tendo a sua pena de morte, comutada em degredo perpétuo, ele foi o único condenado a forca e teve a pena executada.

 

                                                                                

 

Após ter sido enforcado, na manhã de 21 de abril de 1792, no Largo da Lampadosa defronte a igreja da Lampadosa no Rio de Janeiro, o seu corpo foi dividido em quatro partes, que foram expostas nos principais trechos do caminho do Rio de Janeiro para as Minas Gerais, onde ele fazia suas pregações revolucionárias, até que o tempo as consumisse.

O Comandante do RRCM era o Tenente-Coronel Francisco de Paula Freire de Andrade: pouco antes de assumir o comando do RRCM servira como capitão, no que “foi incumbido em algumas diligências do serviço pelo Marquês Vice-rei do Estado; e de todas deu muito boa conta”.

Francisco Freire de Andrade nasceu no Rio de Janeiro e era filho do segundo Conde de Bobadela e de Maria do Bom Sucesso Correia de Sá Benevides. Seu pai e seu tio foram governadores de Minas e sua mãe pertencia a uma das mais distintas famílias da América Portuguesa. Sua trajetória militar iniciara quando tinha apenas doze anos de idade, ao ser admitido como cadete no Regimento de Infantaria do Rio de Janeiro.

À época dos acontecimentos, o Regimento foi colocado sob suspeita, sendo as Minas Gerais policiadas pelos regimentos portugueses de infantaria de Moura e Bragança, que estavam estacionados no Rio de Janeiro em função das Guerras contra os espanhóis no sul do Brasil.

 

1841 - Repressão à Revolução Farroupilha

A chegada da família real portuguesa na colônia brasileira fez com que as forças de segurança tomassem novas formas ao longo do século XIX, mas nem por isso existe uma ruptura drástica no modelo de segurança.  Durante esse século a atuação dos militares mineiros ainda é fomentada pela ideologia imperialista. Além de fazer a segurança provinciana, os mineiros tiveram de atuar em outras regiões do Brasil.

Em 1841, o presidente da província de Minas, Marechal Sebastião Barreto Pereira Pinto, organizou um contingente do então Corpo Policial de Minas para lutar nas Guerras do Sul. A tropa de Minas seguiu para os Pampas e atuou na Repressão à Revolução Farroupilha em meados de 1843 sob as ordens do então Barão de Caxias.

                                                       

 

1865-1870 - A participação na Guerra do Paraguai

Em 1865, a tropa de Minas, ao lado das suas co-irmãs do Império Brasileiro, tomou parte da Guerra do Paraguai, com a denominação de Brigada Mineira; partiu a 10 de maio de 1865. Enfrentou a Retirada da Laguna, os mineiros sobreviveram a retirada de Chaco e ainda se recompuseram e tomaram parte na queda de Assunção.

 

                          

(Fotografia tirada em1865 reproduzindo a Brigada Mineira em Frente ao Palácio da Presidência em Ouro Preto, para incorporar-se a as forças expedicionárias contra o Paraguai.)

 

A Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul no século 19. Rivalidades platinas e a formação de Estados nacionais deflagraram o confronto, que destruiu a economia e a população paraguaias.

É também chamada Guerra da Tríplice Aliança (Guerra de la Triple Alianza) na Argentina e Uruguai e de Guerra Grande, no Paraguai.

A Guerra do Paraguai durou seis anos. Teve seu início em dezembro de 1864 e só chegou ao fim no ano de 1870, com a morte de Francisco Solano Lopes, em Cerro Cora.

Antes da guerra, o Paraguai era uma potência econômica na América do Sul. Além disso, era um país independente das nações europeias. Para a Inglaterra, um exemplo que não deveria ser seguido pelos demais países latino-americanos, que eram totalmente dependentes do império inglês.

Foi por isso, que os ingleses ficaram ao lado dos países da tríplice aliança, emprestando dinheiro e oferecendo apoio militar. Era interessante para a Inglaterra enfraquecer e eliminar um exemplo de sucesso e independência na América Latina.

Após este conflito, o Paraguai nunca mais voltou a ser um país com um bom índice de desenvolvimento econômico, pelo contrário, passa atualmente por dificuldades políticas e econômicas.                                                           

Tendo o Paraguai invadido o Brasil, pela fronteira do Mato Grosso, tornou-se necessária a formação de um Corpo Policial para expulsar os invasores, uma vez que não havia leis que dessem ao governo Imperial condições de convocar forças provinciais para lutarem no Paraguai. Em Ouro Preto o presidente da Província Saldanha Marinho e o Bispo de Mariana concitaram os Mineiros a se apresentarem como voluntários e os membros do Corpo Policial também foram conclamados a se incluírem no Batalhão de Voluntários de Pátria, que ficou conhecido como o 17º Batalhão de Voluntários da Pátria. A tropa ficou constituída de:

  • Indivíduos do Corpo Policial.
  • Voluntários Civis
  • Indivíduos recrutados da Guarda Nacional
  • Unidades Paulistas.

 

Essa tropa seguiu para o front a 10 de maio de 1865 com destino a Uberaba chegando lá em 20 de junho de 1865. Após seis meses de marcha forçada chegou a frente de operações em 24 de dezembro de 1865.

A retirada da Laguna ficou conhecida como um episódio heroico de resistência do soldado Mineiro e até hoje é estudada nas academias militares. Diante de tanto sofrimento, inimigo numeroso, perda de vidas humanas o militar mineiro lutou com honra.

 

                            

1890 - Transformações ocorridas após a Proclamação da República

 

O início do período republicano modificou não apenas o cenário político brasileiro, mas o modo de fazer Segurança no Brasil. Uma característica marcante durante esse segundo período da Corporação em Minas é a força militarista. O uso de técnicas militares fez com que os mineiros estivessem presentes em várias campanhas de combate.

O movimento que proclamou a República repercutiu no interior do Brasil com medidas radicais. Para afastar qualquer reação armada que a fidelidade e o devotamento ao velho imperador pudessem provocar, reformularam-se as corporações policiais. Em Minas Gerais, o Corpo Policial foi dissolvido. Em seu lugar criou-se a Guarda Republicana, comandada por um coronel e com a atribuição de auxiliar o governo na manutenção da ordem pública, defesa do solo pátrio e da causa republicana. Em 1890, o presidente do Estado de Minas Gerais elencou uma série de entraves na Polícia de Minas: efetivo insuficiente e a nomeação de paisanos sem nenhum preparo ou aptidão para o desempenho de funções, contribuindo para o desprestígio da Polícia.

Promulgada a Constituição Mineira, em 1891, a Guarda Republicana foi transformada em Força Pública. Em 1893 a Força Pública recebeu a denominação de Brigada Policial.

 

                                        

(Proclamação da República - Benedito Calixto)

 

1893 - Participação na Revolta Armada

Iniciada em 1893, a Revolta da Armada teve seus antecedentes dois anos antes, em 3 de novembro de 1891, quando o primeiro presidente da República, marechal Deodoro da Fonseca, sem conseguir negociar com as bancadas dos estados, especialmente os produtores de café (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais), fechou o Congresso Nacional. Unidades da Marinha se sublevaram e, sob a liderança do almirante Custódio José de Melo, ameaçaram bombardear o Rio de Janeiro. Para evitar uma guerra civil, em 23 de novembro Deodoro renunciou. O vice-presidente, marechal Floriano Peixoto, assumiu seu lugar e não convocou eleições presidenciais, conforme previa o artigo n° 42 da Constituição para o caso de vacância do cargo em menos de dois anos após a posse do presidente. Sua alegação era que tal norma valia para presidentes eleitos por voto direto, e tanto Deodoro como ele próprio haviam sido eleitos indiretamente, pelo Congresso Constituinte. Mesmo assim, foi acusado de ocupar a presidência ilegalmente, e o primeiro movimento de oposição veio em março de 1892, quando 13 oficiais-generais divulgaram um manifesto em que exigiam a convocação de novas eleições.

Em 6 de setembro de 1893, um grupo de oficiais da Marinha voltou à carga. Eram liderados pelo almirante Custódio de Melo, que ocupara os ministérios da Marinha e da Guerra no governo de Floriano e pretendia candidatar-se a presidente da República.

No dia 13 de setembro começaram assim os bombardeios aos fortes do litoral fluminense em poder do Exército. A frota era formada por 16 embarcações da Marinha de Guerra e 14 navios civis confiscados de empresas brasileiras e estrangeiras para dar apoio às forças rebeldes. Devido ao bombardeio dos sete fortes de Niterói, capital do estado do Rio de Janeiro, a sede do governo foi transferida para a cidade de Petrópolis, na serra, fora do alcance dos canhões da Marinha.

O Marechal Floriano Peixoto solicitou ajuda ao Governo Mineiro, que enviou a Juiz de Fora um forte contingente, possibilitando a ocupação de todas as áreas vitais no entorno da Capital Federal.

Os revoltosos não tinham apoio popular nem das elites, que apoiavam o Presidente, e enfrentaram forte oposição no Exército. Diante da impossibilidade de tomar a capital federal, foram para o Sul do país, onde estava em curso a Revolução Federalista.

                                         

(Revolta de 6 de Setembro de 1893. Aspecto da bahia do Rio de Janeiro no dia 13 de Setembro, durante o bombardeio entre as fortalezas e os navios revoltosos)

 

 

 

Fonte: (http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/REVOLTA%20DA%20ARMADA.pdf)

 

1897 - A corporação em Belo Horizonte 

Após longas discussões e acalorados debates no Congresso Mineiro, ficou definido, em 17 de dezembro de 1893, que o local mais adequado para se construir a capital do Estado de Minas Gerais era a região do Curral Del'Rei, já habitada desde os primórdios do séc. XVIII. 
 
Entre as figuras relevantes deste período, encontra-se o Capitão Antônio   Lopes de Oliveira. Delegado  da comarca de Sabará, o   capitão da   Força Pública Estadual teve sua autoridade estendida para Belo Horizonte, sendo elevado ao cargo de subdelegado, em 1895, nele   permanecendo   até o final de 1897, quando da inauguração oficial da nova capital. (COTTA, slide 21 - aula 3). 
 
 
Major Antônio Lopes de Oliveira, primeiro Delegado de Belo Horizonte
 

 

O primeiro estabelecimento público da nova Capital do Estado foi o majestoso quartel onde hoje está instalado o 1º Batalhão da Polícia Militar, cuja construção foi iniciada em março de 1987, na Praça de Belo Horizonte, hoje Praça Marechal Floriano Peixoto. Este é o prédio mais antigo de Minas Gerais construído especificamente para abrigar um Batalhão da Polícia.
 

A imponência e a solidez do prédio do Primeiro Batalhão de Policia Militar, com o traçado arquitetônico consoante a seu uso e função social, são valorizadas e ao mesmo tempo pela beleza de uma área de lazer fronteiriça, conferida pela Praça Marechal Floriano Peixoto. A construção foi feita como uma fortaleza capaz de resguardar a tropa com locais estratégicos para a defesa e também para a resposta ao inimigo, como as inúmeras clarabóias dispostas em toda a sua extensão e de onde os soldados poderiam acionar as metralhadoras. A parede da fachada foi erguida num maciço de 1.10 metros de espessura, enquanto as outras possuem 70 cm. O objetivo era o de resistir aos ataques, até mesmo de disparos de canhão.

Primeiro Batalhão da Polícia Militar (Fonte: Arquivo Público Mineiro)

A capital, inicialmente chamada de "Cidade de Minas", foi inaugurada no dia 12 de dezembro de 1897 por Bias Fortes, presidente de Minas (1894-98). A primeira cidade planejada do país foi construída a partir de uma concepção urbanística elaborada pelo engenheiro paraense Aarão Reis. Ele queria enfatizar a modernidade e a desenhou prevendo separar os setores urbano e suburbano, delimitados pela avenida do Contorno.

Grandes avenidas, ruas largas, quarteirões simétricos, um parque central: tudo que lembrasse Paris, Washington, e colocasse Belo Horizonte entre as grandes cidades do mundo. A realidade foi maior que o sonho e muitas previsões estavam erradas. A cidade cresceu além do esperado.

Surgiu então a possibilidade de elaborar um plano de treinamento para a Tropa. O Governo adquiriu centenas dos conceituados fuzis Mauser e com a sua característica cada vez mais militar a corporação passou a contar com órgãos assistenciais próprios. 
 

1910 - Combate ao Cangaço no Norte de Minas

O Cangaço foi um fenômeno do banditismo brasileiro ocorrido no nordeste do país em que os membros do grupo vagavam pelas cidades em busca de justiça e vingança pela falta de emprego, alimento e cidadania, causando o desordenamento da rotina dos camponeses.

 
ANTÔNIO DÓ

Foi em 1910, e o nome do Cangaceiro era Antônio Dó. Começou sozinho, porém, a ele se uniram outros malfeitores, e se puseram a assolar todo o Vale do São Francisco, saqueando pequenos fazendeiros da região.

Devido à impunidade de seus atos, esses cangaceiros foram criando fama entre os incautos camponeses, chegando a gozar de grande reputação e serem desmedidamente temidos, o que os tornava mais audazes; como se isso não bastasse, assassinaram quase todo o Destacamento da cidade de São Francisco, saquearam-na e desafiaram o próprio Dispositivo da Segurança do Estado.

Instalaram-se em Vargem Bonita, local de difícil acesso, perto das margens do Rio Urucuia, lá construindo um vilarejo. Com o aliciamento de um desertor da Força Pública, dedicaram-se à Instrução dos novos, que tiveram coragem de associarem-se ao Bando.
 
À vista da situação, o Secretário do Interior, responsável por toda a segurança do Estado, designou a formação de um Pelotão que, partindo de Belo Horizonte, teria como missão aniquilar este foco de bandoleiros.

Da Capital, partiu o Pelotão para Pirapora e daí, em viagem de vapor para São Francisco, onde teve notícias do Bando, em uma Fazenda abaixo da cidade: para lá seguindo, a inexperiência, justificável, tanto do Oficial, como da Tropa que desconheciam o terreno, fez com que não fossem adequadas as medidas de segurança para a natureza da operação, fazendo-os cair no ardil inteligente do malfeitor, que se refugiando em um desfiladeiro, estabeleceu uma fraca resistência em uma Fazendola.

Ao transpor o obstáculo, o Pelotão julgou simples demais a ação e avançou para o desfiladeiro, quando foi cercado e atacado pela fuzilaria dos jagunços, sem ter um local para retroceder.

Quando se esgotou a munição do Pelotão, os bandidos desceram de seus postos, dando-se, então, o extermínio de quase todos os Soldados, a não ser alguns que escaparam à chacina e retornaram a São Francisco, feridos e famintos.

Para a solução do problema, que assumira extrema gravidade, após essa chacina, tornou-se necessária a mobilização de um efetivo maior, composto de competentes conhecedores da região, escolhendo-se para seu Comando o já famoso Alferes Félix Rodrigues da Silva (Felão). Felão selecionou um Efetivo de aproximadamente dois Pelotões.

Rumando para Corinto, o Alferes, com seus homens, embarcou em trem especial para Pirapora e de lá para São Francisco, de vapor. Tendo já sido Delegado em São Francisco, não lhe era difícil percorrer aquelas savanas, por ser profundo conhecedor da região. Sua primeira preocupação fora, no entanto, encontrar um homem conhecedor dos hábitos de Antônio Dó e o modo como agia. Nesse particular, a sorte o beneficiou, ao conhecer Indalécio que se incorporou à Tropa.

As importantes informações desse homem levaram o Alferes a Vargem Bonita e, ainda com facilidade, ao empréstimo de cavalos, sem os quais seria difícil vencer aqueles agrestes sertões. 
 
Atravessaram o rio e acamparam a algumas léguas da cidade do jagunço que, sabedor da notícia, já se havia preparado para receber os Soldados. Preocupou-se, pois, Felão, com o momento oportuno para o ataque; depois de avaliar as possibilidades, concluiu que o melhor momento seria o de surpreender a jagunçada. E esse surgiu, durante a madrugada, providenciando Felão, inicialmente, o cerco do lugarejo e, após renhido combate, convencionalmente, a Tropa da Força Pública cessou fogo, para que os jagunços julgassem, como acontecera anteriormente, que a munição se esgotara; com a reação prevista, partiram os homens de Antônio Dó para a luta "corpo a corpo". Qual não foi, porém, a surpresa ao recomeçar a fuzilaria, dizimando a maioria dos jagunços que ainda restavam, sendo Antônio Dó traído e fuzilado pelos seus próprios jagunços.
 

JOÃO DUQUE

Na Bahia, em 1923, para que se solucionasse a crise estabelecida entre o latifundiário João Duque e o Governo, fora necessária a solicitação da ajuda do Presidente da República, no sentido de que as Forças Mineiras, conjugadas com as do Exército, conjurassem o conflito, que já havia ceifado inúmeras vítimas, tanto da Polícia, como das populações baianas, da zona fronteiriça com Minas, ao Norte. Foi designado o então jovem Oficial Otávio Campos do Amaral que conseguiu, a custo, pacificar a região e o terrível fazendeiro que, com seus jagunços, ameaçavam tomar a cidade de Carinhanha.

 

1897

CONTEUDO

1907

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1910

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1911

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1912

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1914

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1918

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1923

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1924-1926

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1927

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1930

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1932

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1934

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1935

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1937

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1940

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1946

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1949

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1950

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1951

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1955

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1956

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1957

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1960

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1964

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1967

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1972

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1973

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1974

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1975

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1979

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1980

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1981

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1993

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1997

CONTEUDO

1998

CONTEUDO