Polícia Militar de Minas Gerais

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O último adeus aos cães Dox e Lyon

20/05/2011

 


 


Os corpos dos cães Dox e Lyon foram cremados na manhã de hoje, 20, no Memorial Pampulha, Bairro Braúnas, próximo ao Jardim Zoológico. Em seguida, as cinzas dos animais foram levadas para a sede da 1ª Companhia de Missões Especiais, à Avenida Coronel Jove Soares Nogueira, 281, Bairro Inconfidentes, Contagem, onde será construída a Galeria de Herois. "Aqui, os nossos amigos ficarão para sempre", disse o comandante da unidade, Major Sacramento.


 


Por volta das 9h, dezenas de policiais militares, visivelmente emocionados, já estavam a postos no Memorial à espera dos corpos dos cães. Assim que teve início a cremação, era possível detectar lágrimas nos rostos de quase todos os componentes do Canil Metropolitano, que faz parte do Grupamento Ostensivo de Choque, responsável pela operação que prendeu dois dos homens que participaram do assalto e assassinaram os cães a tiros, no último dia 17.


 


"Foi um dos momentos mais tristes de toda a minha vida. Para mim, ele era como se fosse uma pessoa da família", lamentou o Soldado Maciel, referindo-se ao cão Dox, de quem era condutor e adestrador. Também inconsolável, estava o seu amigo de farda, Soldado Wellis, que tinha em Lyon um amigo inseparável. "Foi uma verdadeira tragédia o que aconteceu. Jamais vou esquecê-lo", acrescentou.


 


VAI NA FRENTE


Logo após a cerimônia, o Subtenente Edmar, um dos fundadores do canil, disse que a morte de um cão da unidade representa sofrimento para todos os integrantes da 1ª Companhia de Missões Especiais. Ele explicou que, durante as operações de localização de drogas, rebelião em presídios, distúrbios civis e captura de marginais, é o cão que vai na frente, porque ele é bem treinado, é mais rápido e tem o faro apurado.


 


Para fazer o seu trabalho, o animal passa anos a fio com um dos 25 policiais militares componentes do canil. "Todos eles dedicam um amor incondicional ao seu cão e, em muitos casos, buscam conhecimento em outros locais para dar o melhor que podem para esse dileto amigo", afirma o subtenente.


 


Para fazer parte da equipe da Rondas Ostensiva com Cães - Rocca, o policial militar precisa ter equilíbrio emocional, porque o cão só desenvolve suas habilidades se o seu condutor for amável e compreensivo. "É desse relacionamento que surge uma grande amizade que dura para toda a vida", garante o policial militar.


 


MUITO AMIGO


Mais adiante o comandante do Grupamento Ostensivo de Choque, Capitão Paulo Roberto, ressalta que os cães da PM recebem tratamento militar. "Eles fazem ordem unida, usam farda, obedecem ao comando de seu condutor-adestrador e têm direito à aposentadoria. Quando isso ocorrer, eles, normalmente, vão morar na casa de seus condutores, que não abrem mão do amigo de muitos anos."


 


Uma das atividades mais gratificantes que os cães participam são as apresentações em escolas e eventos especiais, quando fazem a alegria de crianças, adolescentes e até de adultos. Nos encontros, os policiais militares aproveitam para fazer palestras, orientando jovens e adultos sobre o perigo que as drogas e as bebidas alcoólicas representam. "O cão é útil em todos os momentos", observa o Capitão.


 


O Canil Metropolitana foi criado em 2002 e, de para cá, tem participado de centenas de operações que culminaram com a prisões de assaltantes, traficantes e homicidas. Com duas Roccas - um de diurna e outra noturna -, os policiais militares e seus cães apóiam as outras unidades a desenvolver atividades de prevenção e repressão da criminalidade, contribuindo para a manutenção da segurança pública. (Alexandre França)

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