Palavra 

Polícia Militar de Minas Gerais

separe os e-mails por vírgula

MENSAGEM DOS ASPIRANTES DE 1967

09/10/2017

Cinquenta anos se passaram desde o dia de nossa formatura como aspirantes, no mesmo pátio desta Escola.

Mais de cinquenta desde o primeiro dia em que aqui ingressamos e enfrentamos, com um mês de preparo às pressas, a Revolução de 1964.

Tempos idos e vividos!

Um personagem marcou mais da metade dos integrantes da turma, como diretor e professor do Colégio Tiradentes, origem comum da maioria: o coronel Argentino Madeira, a quem rendemos nossa homenagem.

Presenciamos e participamos das mudanças mais significativas pelas quais passou a Instituição que escolhemos para servir profissionalmente.

Já no último ano do curso, a mudança mais importante que ocasionou várias das seguintes: a destinação de uma tropa adestrada no militarismo para funções eminentemente policiais, pelos decretos federais 317 e 667, extinguindo organizações civis que desempenhavam tais funções.

Aquela legislação nos destinou e reservou um novo mercado de trabalho, embora, quando de sua edição, alguns oficiais a considerassem uma “ingratidão” dos aliados federais do recente movimento.

Foi necessário que nós e todos os oficiais e praças da época, mormente os lotados na capital, aprendessem na prática técnicas e processos para o desempenho das funções.

Rendemos também nossa homenagem ao coronel Antônio Norberto dos Santos, um visionário precursor falecido recentemente, aos 109 anos, autor do livro “Policiamento”, primeiro manual para nosso aprendizado nas novas funções.

No final da década de 60, um plano de policiamento ostensivo metropolitano reduziu as funções administrativas e destinou grande parte do efetivo para a atividade fim: o policiamento. Seu responsável: o coronel Paulo Moreira Alvim Machado.

Ao mesmo tempo, uma equipe de notáveis oficiais refez e atualizou toda a nossa legislação. A reforma administrativa que informatizou o orçamento, as folhas de pagamento, os registros de pessoal e de ensino foi realizada nos anos 70 e foi um marco de pioneirismo no Estado. Seu idealizador e incentivador foi o coronel Manoel Doro Pereira.

Na década de 80, o crescimento da criminalidade exigiu cada vez mais o empenho das forças da Corporação. O jurista Miguel Reale Jr, palestrante e debatedor do 1º Congresso das Polícias Militares, realizado sob os auspícios da Polícia Militar de Minas, em 1987, no comando do coronel Leonel Archanjo Afonso, comentou que aquela reserva de mercado que nos fora imposta em 1967 se tornara um mercado de trabalho cada vez mais valorizado, exigente e ansioso por resultados por parte da população.

Datam dessa década as edições de planos e normas de atuação para tornar a execução do policiamento mais eficiente e produtivo e o principal mentor desses aperfeiçoamentos foi o coronel Klinger Sobreira de Almeida.

No início da década de 90, o primeiro olhar em retrospectiva sobre a Escola que nos formou: a edição do livro “Memória Viva”, contando a história de cada uma das turmas, de 1936 a 1990. O segundo olhar aconteceu em 2013, com o segundo volume de “Memória Viva”, relatando as histórias das turmas de 1991 a 2011.

Em 1994, os últimos aspirantes de 1967 foram transferidos para a reserva. Continuaram e continuam, no entanto, acompanhando e participando da Instituição, seja pessoalmente ou por meio de seus descendentes, vários deles presentes nessa solenidade.

Presenciaram a grande crise de 1997 e seus resultados: as influências  que se refletiram em suas fileiras, nas polícias militares de outros Estados e como consequência o respeito maior à Instituição por parte dos governantes.

Nos anos 2000, têm acompanhado do mesmo modo as mudanças internas, administrativas e operacionais e se preocupam com as condições de trabalho de seus integrantes, cada vez mais difíceis, num País conturbado pela criminalidade.

Temos sido espectadores privilegiados e partícipes da evolução e das mudanças na Corporação que escolhemos profissionalmente, ainda na adolescência.

Na comemoração dos 50 anos de formatura, decidimos que a maior homenagem que poderíamos prestar à Instituição seria a edição de um livro em que cada um contasse a própria história.

Nessa obra, intitulada “Saga Miliciana, a história dos aspirantes de 1967”, alguns aspectos são assuntos de destaque. Entre eles citamos: os antepassados dos aspirantes e seus descendentes nas fileiras da Polícia Militar; as dificuldades financeiras das famílias naqueles tempos e a busca por uma profissão; o período de formação, marcado por alegrias, tristezas, dificuldades e estoicismo; a dedicação de professores e instrutores da época; o apoio e as orientações transmitidas pelo capelão; o aprendizado posterior no exercício da profissão; a peregrinação por unidades e serviços em diversas cidades, no desenrolar da carreira; a participação em maior ou menor grau de todas as mudanças e aperfeiçoamentos ocorridos; a transferência para a reserva, com o sentimento de dever cumprido; a saudade dos companheiros que se foram desta vida e o agradecimento pelas oportunidades oferecidas e pela assistência prestada.

Hoje, na reserva, junto de nossos familiares, guardamos na memória tudo que vimos e vivemos. E num escrínio de jóias preciosas, preservamos o orgulho e a honra de pertencer a uma Instituição bicentenária, cada vez mais respeitada, cada vez mais útil e prestante ao povo mineiro.

Agradecemos ao Exmo. Senhor Governador do Estado, Fernando Damata Pimentel, ao comandante geral da Polícia Militar, coronel PM Helbert Figueiró de Lourdes, ao Chefe do Gabinete Militar e Coordenador Estadual de Defesa Civil, coronel Fernando Antônio Arantes, ao Subcomandante da Polícia Militar, coronel André Agostinho Leão de Oliveira, ao Comandante da Academia de Polícia Militar, coronel Robson José de Queiroz e ao presidente do Clube dos Oficiais, coronel Edvaldo Piccinini Teixeira, o apoio para a realização dessas comemorações que marcam o jubileu de ouro de nossa formatura.

Os aspirantes de 1967.

Autor: Os aspirantes de 1967